A Operação Bon Vivant foi deflagrada na manhã desta terça-feira (15) e cumpriu 28 mandados de prisão nos dois estados. Ao todo, 27 pessoas foram presas, sendo 15 que já estavam custodiadas em unidades prisionais.A investigação começou depois que a Polícia Civil apreendeu o celular de um dos envolvidos. A análise do aparelho revelou conversas e informações que levaram os investigadores a identificar uma organização criminosa estruturada, com pessoas responsáveis por diferentes funções, desde a prática dos crimes até a movimentação dos valores obtidos ilegalmente.
O delegado Lucas Rothardan explicou à TV Paraíba que, a partir das informações encontradas no celular, a polícia passou a adotar outras medidas de investigação e chegou a uma estrutura que envolvia tráfico de drogas, venda de armas e mecanismos utilizados para lavar o dinheiro dessas atividades.
Como funcionava o esquema
De acordo com a investigação, uma das estratégias usadas pelo grupo para movimentar o dinheiro estava relacionada ao mercado de animais e às vaquejadas.
Os investigados compravam animais e participavam de leilões, movimentando valores e estabelecendo relações com criadores, compradores e outras pessoas ligadas ao setor. Segundo a polícia, essas aproximações também serviam para ampliar a rede de contatos e facilitar novos negócios.
Um dos integrantes mantinha ainda um negócio relacionado à criação e comercialização de animais. A atividade fazia parte da estrutura usada pelo grupo para movimentar recursos e se inserir nesse mercado.
A Polícia Civil identificou também três academias ligadas aos investigados. Para os investigadores, a existência de diferentes negócios mostra que o grupo utilizava mais de uma atividade para movimentar os valores e tentar afastá-los da origem criminosa.
Outra parte da estrutura era formada por pessoas apontadas como “laranjas”, usadas para movimentar dinheiro ou manter bens e negócios em seus nomes. Entre elas estavam esposas de alguns dos investigados, segundo a polícia.
Estratégia envolvia carreira de cantor
A investigação também identificou uma estratégia envolvendo o agenciamente da carreira de um cantor. Um dos integrantes do grupo teria investido dinheiro na carreira do artista e planejado uma espécie de aposta no crescimento profissional dele.
Segundo a Polícia Civil, a estratégia envolvia o agenciamento da carreira do cantor. O objetivo era investir no artista e, com o crescimento da carreira, ampliar as possibilidades de negócios e movimentação de dinheiro.
A Polícia Civil não aponta o cantor como integrante da organização. Segundo a investigação, ele provavelmente não sabia que estava sendo utilizado dentro da estratégia planejada pelos investigados.
Grupo também atuava no Rio Grande do Norte
A organização também mantinha atuação no Rio Grande do Norte. Um dos principais investigados tinha influência no estado e possuía um haras que foi alvo das buscas realizadas nesta terça-feira (15).
No local, os policiais apreenderam veículos, caminhões e um quadriciclo. A propriedade fazia parte da estrutura patrimonial investigada e estava relacionada aos negócios do grupo com animais.
Além das prisões, a operação determinou o bloqueio de valores e bens e resultou na apreensão de patrimônios que, segundo a polícia, podem estar relacionados à atuação da organização.
Em Campina Grande, os mandados foram cumpridos nos bairros Aluízio Campos e José Pinheiro e em dois condomínios fechados. Veículos de luxo e outros bens também foram apreendidos.
Uma das prisões em Campina Grande teve disparos contra os policiais. A equipe conseguiu controlar a situação e prender o homem. Ninguém ficou ferido.
A Operação Bon Vivant continua com a análise do material apreendido e das informações obtidas durante a investigação.
Fonte:https://g1.globo.com