Empresa trocou ônibus escolar e motorista no dia do acidente, diz Prefeitura de Pilões
Processo administrativo foi aberto e objetivo é descobrir as razões dessa mudança de veículo.
Por Luana Araújo
Publicado em 03/04/2025 14:42
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A empresa que prestava serviços de transporte escolar para a Prefeitura de Pilões, na Paraíba, trocou o veículo e o motorista, sem informar nada para a gestão municipal, justamente na terça-feira (1º), dia do acidente que resultou na morte de dois adolescentes e deixou 31 feridos.

Essa é a versão dada pelo advogado Adilson Alves, que é assessor jurídico da Prefeitura. Ele disse que um processo administrativo foi aberto e que o objetivo é descobrir as razões dessa mudança.

 

"Tal fato só foi de conhecimento da Prefeitura de Pilões após o acidente", revelou.A empresa se chama "Adriano Pinheiro da Silva", mesmo nome de seu proprietário. O g1 telefonou diversas vezes para ele, mas as chamadas foram seguidamente rejeitadas.
Adilson Alves disse também que, ao contrário do ônibus que sofreu o acidente, o veículo anterior que era utilizado estaria regularizado e tinha passado por vistorias de transporte escolar. E que a principal questão agora é saber o que provocou essa mudança repentina.
"Vamos apurar eventuais irregularidades e responsabilidades de servidores municipais e também a conduta da empresa em relação à troca do ônibus", completou.
Contrato emergencial e licitação suspensa
Ainda de acordo com o assessor jurídico da Prefeitura de Pilões, Adilson Alves, a empresa já prestava serviços ao município e Pilões há vários anos, sem nunca ter apresentado falhas e sem nunca ter se envolvido em acidentes.
O último contrato com a empresa, ademais, se encerrou em 31 de dezembro, mas ela continuou a prestar serviços em caráter emergencial, a partir de um contrato direto, até que uma nova licitação fosse encerrada.
Esse processo, inclusive, já tinha sido finalizado e seria assinado justamente na terça-feira (1º). O detalhe é que a mesma empresa saíra vencedora.
Agora, a Prefeitura decidiu suspender a licitação e estuda a revogação do resultado final. A questão seria saber como proceder: se convoca o segundo colocado ou se faz um novo processo licitatório.
Outra informação era a de que o contrato servia para levar estudantes de Pilões para estudar em uma escola técnica estadual e em universidades de Guarabira, mas que estudantes secundaristas da rede privada de ensino também aproveitavam a viagem para estudar naquele município.
Relembre o caso
Na última terça-feira (1°), um ônibus escolar que fazia o transporte de estudantes de Pilões a Guarabira tombou na PB-077, numa região conhecida como Ladeira do Espinho que fica nas proximidades do município de Cuitegi. No acidente, dois adolescentes morreram e 31 ficaram feridos. Entre os feridos, uma menina que teve a mão amputada.
Os mortos são Gustavo Batista Belo da Silva e Fátima Antonella Guedes de Albuquerque, de 13 e 15 anos respectivamente.
Durante as investigações iniciais, descobriu-se que o veículo do acidente não tinha passado por nenhum tipo de vistoria e estava irregular para uso.
O acidente pode ter sido causado por problemas no freio. A suspeita foi levantada e explicada pelo tenente Glauco, do Corpo de Bombeiros. De acordo com o tenente, a pista onde o ônibus tombou não tem marcas de frenagem. Isso, de acordo com ele, indica o problema.
Já o perito Miguel Sales, da Polícia Civil, confirmou que o tombamento aconteceu em uma curva e que, depois disso, o veículo se arrastou pelo asfalto. O ônibus foi contido quando bateu em uma mureta, que impediu que ele caísse em uma ribanceira.
Sobre as vítimas, elas foram enviadas inicialmente para o Hospital Regional de Guarabira. Oito deles, depois, foram transferidos para o Hospital Regional de João Pessoa. Com relação aos corpos dos mortos, esses foram liberados na noite de terça-feira (1º). Foram velados em Pilões e enterrados no município da manhã da quarta-feira (2).
Fonte:https://g1.globo.com
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